VIR-A-SER DO ARCO E FLECHA

A pesquisa propõe um aprofundamento nos conceitos do corpo memorial e na
imagem do arco, compreendendo-o não como um objeto estático, mas como a própria envergadura da arte-educadora que, ao assumir o desafio de tencionar as subjetividades autobiográficas da trama, prepara a flecha para o alvo do coletivo.
Instala-se assim, a condição do vir-a-ser, o estado máximo de prontidão,
atenção e direção para o arqueamento do arco e da flecha.
O arco é, assim, a soma de todas as forças que atuam no sistema do arqueamento,
o corpo memorial em estado de total tensão. Nele poderá atuar as aflições,
os estresses, as angústias, as inquietações, as belezas, os medos e apreensões,
os desejos de lançamentos certeiros.
Dessa forma, esse importante ponto de inflexão é visto como o próprio corpo da pesquisadora, que ora se põe a tramar, ora se põe a ensinar, entre tantas outras atuações.
O arco-corpo memorial é o lugar de envergadura, no qual a teoria e a vida se encontram (ou se cruzam) para produzir sentido. Capaz de incorporar as rugosidades dos arquivos, as texturas das colagens e a densidade dos diários revisitados.
É na solidez flexível do arco-corpo que as vivências dispersas encontram o seu eixo de convergência e reorientação, fortalecendo-se na medida em que a caminhada acontece, ao olhar atento para as inquietudes da pressa, as práticas da completude da trama e as estratégias da flecha.
A sua força reside na capacidade de envergar sem quebrar, demonstrando que quanto maior a tensão suportada pela madeira e pela corda, maior será o alcance da flecha lançada e, também, mais vigilante estará para perceber o que está a sua volta.
