A PESQUISA
A TRAMA E A FLECHA: práticas de ressignificação da pressa na formação de uma arte-educadora.
Esta pesquisa, de natureza reflexiva, performática e autobiográfica,
nasce da inquietude gerada pela pressa — um motor que revela as contradições
do mundo moderno e suas implicações na formação contínua do arte-educador.
O foco é ressignificar este ritmo frenético, impulsionado pela lógica neoliberal,
que afeta as experiências humanas e a apreciação de processos criativos profundos.
Para tanto, o estudo se estrutura em dois dispositivos conceituais:
a Trama, que borda o tempo e tece novas conexões existenciais,
e a Flecha, que configura saberes transmissíveis e compartilhados,
convidando a transformação da pressa em potência criativa.
pressa
Contexto/Causa: A pressa como produto do neoliberalismo.
Diagnóstico/Problema: O que ela afeta (formação, criatividade, experiência).
Paradoxo/Solução: Como a pressa se torna o motor para a trama e a flecha.
Contexto/Causa: A trama surge pela necessidade de desacelerar e reorganizar o tempo fragmentado, em resposta à urgência imposta pela pressa. Cria-se as práticas de bordar o tempo ao atuar sobre os arquivos pessoais e as memórias do corpo memorial da arte-educadora.
Diagnóstico/Problema: Enfrentar a fragmentação da memória, a linearidade imposta à formação e a invisibilidade das experiências não-arquivais que constituem o saber docente.
Paradoxo/Solução: Transforma o tempo fugidio e linear em um tempo bordado e espiralar (circular/contínuo), ressignificando o arquivo pessoal. A trama converte a subjetividade
individual em um método de pesquisa que gera novas conexões para a
caminhada de formação de uma professora-artista.
Contexto/Causa: A flecha emerge da urgência em compartilhar o saber gerado durante uma contínua caminhada de formação. Baseia-se em um conhecimento direcionado e transmissível,
que busca transformar a reflexão individual em um vetor de movimentos coletivos.
Paradoxo/Solução: Transforma o saber subjetivo (proveniente do si e da trama) em um saber objetivado, compartilhado e ressignificado (mirando o nós). A flecha configura o alvo, fornecendo a direção e a estratégia para que o arte-educador possa agir conscientemente, em um saber ancestral do educador que se dá muito antes da graduação e muito depois da titulação.
Pesquisa desenvolvida por Sílvia Lima, com orientação da professora doutora
Janaina Carrer, no campo das atividades acadêmicas do Mestrado Profissional em Artes da Cena da Escola Superior de Artes Célia Helena em parceria com o Itaú Cultural.

