
PRÁTICAS DE BORDAR O TEMPO
A partir das narrativas iniciais de bordar o tempo, percebe-se que ao dizer da completude
da trama faz-se necessário agir, produzir mais ações interligadas com o caminhar para si,
criando e sistematizando, de fato, um ateliê biográfico da arte-educadora.
Para isso, é preciso enfrentar os dilemas da modernidade, principalmente,
aquilo que dói na pressa por viver, do dar conta de tudo, do fazer acontecer
em oposição às experiências valiosas vivenciadas na arte e na educação.
Conclui-se que bordar o tempo é uma ação consciente, produzida no ateliê biográfico,
realizada pelo corpo memorial da pesquisadora, na busca pela expressão sobre algo que, muitas vezes, se apresenta impalpável, incorpóreo e abstrato. Ao dar forma para a vulnerabilidade, as práticas apresentadas contemplam diversas maneiras de estar presente: fiando e desfiando, compondo e escrevendo, fazendo e desfazendo, riscando e arriscando, colando e descolando, cores, linhas, pontos e nós.
Portanto, no ato performático do bordar tempo cria-se um território propício para que as memórias, imagens, sons, cheiros e lembranças táteis sejam desveladas.
Sentidos disparados, em uma nova maneira de observar e,
por conseguinte, existir (presente, passado e futuro).
Algumas dessas ações demandam tempo prolongado, lento e recorrente
sobre os documentos, são as entrePausas.
Já as que fazem rápidas, em um próprio movimento de recordar
e esquecer, são as desvelAções.